Sistemas de Energia do Futuro no Brasil

Descrição sucinta do projeto

Título: Sistemas de Energia do Futuro no Brasil
Comissionado por: Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ)
País: Brasil
Parceiro político: Ministério de Minas e Energia (MME)
Duração: 2016 a 2021

Installing photovoltaic modules at a SENAI training centre

Situação inicial

Embora o rápido crescimento econômico verificado nos últimos anos tenha enfraquecido significativamente, a demanda de energia no Brasil vai continuar a aumentar. Com base na previsão de crescimento econômico e populacional para os próximos 10 anos, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima um aumento de mais de 3% na demanda anual de eletricidade até 2026.

A matriz elétrica brasileira já possui uma grande contribuição das energias renováveis. As hidrelétricas representam mais da metade da capacidade instalada, e cerca de 17% vêm de outras fontes de energia renovável. No entanto, o foco em hidrelétricas impõe alguns desafios, como as variações interanuais nos níveis dos reservatórios, um desafio acentuado pelas mudanças climáticas que tem deixado cada vez mais evidente a necessidade de diversificar a matriz. Nos últimos anos, houve longos períodos sem chuvas fortes, o que resultou em níveis baixos de água nos reservatórios. Essas condições hidrológicas desfavoráveis têm levado ao aumento no uso de fontes de energia fósseis, que por sua vez levam ao aumento dos preços da energia.

Por isso, o desenvolvimento de outras fontes de energias renováveis como a solar e a eólica e eficiência energética são importantes no Brasil. Estima-se que, até 2024, a capacidade instalada de energia eólica terá duplicado, enquanto a capacidade de energia solar terá aumentado sete vezes.

Essa expansão vai trazer desafios para o planejamento e a regulação no setor energético e elétrico, já que as energias eólica e solar dependem das condições metrológicas e variam de acordo com elas. O maior potencial de energia eólica do país é encontrado no Nordeste. Porém, uma grande parte da eletricidade gerada nessa região deve ser transportada para o Sudeste, onde há o maior consumo.

Além disso, esse mercado em crescimento requer uma força de trabalho qualificada para planejar e implementar investimentos em energias renováveis e eficiência energética, além de garantir a manutenção. No entanto, o setor carece de um número suficiente de profissionais com as habilidades necessárias.

Objetivo

Aprimorar as condições gerais para integrar energias renováveis e eficiência energética no sistema energético brasileiro.

Energy-efficient lighting for cities and municipalities

Abordagem

Para aproveitar o enorme potencial brasileiro de energias renováveis e economia por meio da eficiência energética, as instituições e os formuladores de políticas precisam ter acesso a informações e dados confiáveis. A GIZ assessora ministérios e outras instituições públicas, além de bancos e outros atores relevantes do setor no delineamento de estratégias e apoio ao desenvolvimento de estruturas de cooperação e gestão, além de oferecer conhecimento técnico em planejamento e regulamentação energético, bem como orientações para o desenho de modelos de negócio. Por exemplo, o setor energético e elétrico brasileiro está sendo analisado em um estudo conduzido em parceria com as empresas Lahmeyer International, Tractebel (Engie) e PSR para ajudar a melhorar as condições para a integração de fontes de energia renováveis variáveis no mix energético brasileiro.

A GIZ também promove a cooperação entre atores públicos e privados no setor, facilitando o compartilhamento de tecnologias e conhecimentos. Além disso, a economia alemã também pode se beneficiar do envolvimento da GIZ à medida que aumenta a demanda no Brasil por tecnologias inovadoras.

Os cursos de formação profissional disponíveis no Brasil ainda não atendem à crescente demanda do mercado de especialistas em energias renováveis e eficiência energética. Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado abre oportunidades para novos empregos nesta área. A GIZ apoia, portanto, instituições de formação profissional e universidades no estabelecimento de estruturas e programas de formação para professores e especialistas técnicos para estes novos perfis profissionais. Para isso, considera-se experiências internacionais, como as do sistema de formação profissional alemão e da transição energética (Energiewende) na Alemanha.

A wind energy expert

Impactos

Com apoio técnico da GIZ, a ANEEL introduziu a regulação que permite o NetMetering em todo o país e a revisou em 2016: os brasileiros que possuem um sistema fotovoltaico, uma pequena turbina eólica ou uma usina de biogás podem gerar eletricidade para o consumo próprio. Com pouca burocracia é possível solicitar a conexão à rede, e a eletricidade injetada é remunerada usando a tarifa de eletricidade do consumidor. A medição líquida torna os investimentos privados, especialmente em sistemas fotovoltaicos, uma opção atraente e, portanto, promove um fornecimento de energia descentralizado, ambientalmente correto, seguro e competitivo.

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a federação nacional de cooperativas (OCR) lançaram um modelo de negócios cooperativo para a descentralização da geração de energia em todo o país, juntamente com a GIZ. Até o momento, foram fundadas sete cooperativas locais de energia, que operam oito usinas com capacidade instalada de 8,5 MWp em quatro estados.

Em um estudo piloto, o MME,  a EPE e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desenvolveram novos mecanismos para integrar uma quantidade crescente de energias renováveis intermitentes no sistema energético. Modelado com base na segurança do fornecimento do sistema energético brasileiro, o estudo demonstra medidas para mitigar o efeito da integração destas fontes.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) inaugurou os primeiros centros de formação para instaladores fotovoltaicos nos estados de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Norte e no Distrito Federal (Brasília). Até  2018, foram formados 500 instaladores para trabalhar no mercado de energia solar com base no itinerário nacional. Um curso de pós-graduação em gestão de energia na indústria também foi introduzido em três estados. Aos participantes do curso do SENAI em São Paulo é oferecida uma imersão de conhecimento de 2 semanas na Alemanha em cooperação com a RWTH Aachen University.

O Ministério da Educação (MEC) iniciou o Programa EnergIF para promover energia renovável e eficiência energética em mais de 600 campi dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia em 2016. Em 2018, o MEC publicou um itinerário nacional para energias renováveis e eficiência energética, no qual se baseia a formação profissional dos institutos federais.